22 de dezembro de 2014

Boyhood



Com Boyhood (2014), Richard Linklater confirma o seu interesse por confundir o tempo de um filme com o tempo de uma vida. Contudo, tal como sucedia na sequência Before Sunrise (1995)/ Before  Sunset (2004)/Before Midnight (2013), o que faz sobressair o filme é menos o estratagema e mais o talento para dinamitar a partir de dentro uma matriz clássica (o encontro romântico de uma só noite ou o filme “coming of age”). Está lá tudo: o primeiro beijo, a primeira namorada e a primeira bebedeira não faltam à chamada. Mas também estão lá os momentos de ligeireza e irrelevância que sustentam uma vida.

15 de dezembro de 2014

Lamentações gerais | Saint Laurent



Os humores da distribuição cinematográfica portuguesa (entenda-se “lisboeta”, com a nossa vénia e perdão para o resto do país cinéfilo) são fonte de pasmo continuado para o Cinéfilo Preguiçoso. Como aconteceu em 2013, o final de 2014 regista uma concentração estonteante de estreias e reposições. Entre as quatro curtas de Manoel de Oliveira (incluindo a sua mais recente obra, O Velho do Restelo), o último Cronenberg (Mapas para as Estrelas), dois clássicos de Chaplin que nos caem não se sabe bem de onde (mas que não se recusam), um documentário animado de Michel Gondry sobre uma conversa com Noam Chomsky (É Feliz o Homem que É Alto?) e mais um capítulo da saga de Ventura (Pedro Costa, Cavalo Dinheiro), sobra pouco tempo comprar as prendas e o bolo-rei. Tamanha fartura tem como efeito secundário a indolência e a vontade de ficar no recato do lar a ver um DVD (por exemplo, o último capítulo de A História do Cinema, de Mark Cousins - muito recomendável, mau grado os ocasionais desvarios e a ausência de menção a Éric Rohmer) e a recordar os detalhes de Saint Laurent, um filme singularmente cerebral e físico que confirma Bertrand Bonello como um realizador a não perder de vista.

14 de dezembro de 2014

O Cinéfilo Preguiçoso

O Cinéfilo Preguiçoso gosta muito de cinema, mas acontece-lhe com frequência ver-se traído pela falta de energia e pela falta de imaginação e pontualidade dos responsáveis pela distribuição de filmes em sala. É por isso que o leitor de DVDs e o sofá são dois dos seus amigos mais fiéis.